sábado, 27 de janeiro de 2007

Conde Branco e Tinto (1789-1815)-Inventor do Garrafão de Vinho

Sabe-se que o Conde Branco e Tinto nasceu a 6 de Abril de 1789. Segundo a lenda, o seu pai passou a noite a festejar o nascimento, e, curiosamente, nove meses mais tarde cerca de metade da população da vila terá dado à luz. A infância e a adolescência do Conde foram tão normais quanto se poderia esperar de uma criança da nobreza nesta altura, mas era o próprio que afirmava que o seu pai se queixava, à noite e numa voz arrastada, do facto de as garrafas terem pouco vinho. É óbvio que esta influência o marcou profundamente.
Foi para a Universidade de Coimbra em 1808, levando consigo as últimas palavras da sua mãe antes de morrer (“Mas porque é que o teu pai tinha que ir à igreja logo no dia da queca com o padre?”). Abalado com a prematura morte da mãe, demarcou-se desde logo dos seus colegas, graças às monumentais ressacas com que se apresentava às aulas. É célebre a frase do seu professor de Teologia sobre a sua participação nas aulas: “Levarei comigo para a cova a memória do seu rosto, quando apareceu no auditório, 30 minutos atrasado, a perguntar se alguém sabia quem era a dama que se encontrava na sua cama.” Podía-se já vislumbrar o potencial do jovem.
Foi logo a seguir, em 1809, que ele criou o seu primeiro grande projecto. Ainda perseguido pelas palavras do pai, apresentou à Camâra de Coimbra um monumental projecto para a criação de uma rede de canalização que permitisse a chegada de vinho, quer branco quer tinto, a todas as casas da cidade. Para ter acesso a esse néctar, bastava abrir a torneira! Uma ideia visionária que nunca foi bem aceite pela sociedade.
Em 1811, depois de terminar o seu curso, inventou a obra que o tornaria famoso. Atormentado por não conseguir concretizar o seu projecto original, criou o garrafão de vinho. Apesar de se ter tornado desde logo um sucesso na Corte, e lhe ter granjeado uma amizade íntima com o rei, o Conde nunca se mostrou satisfeito com a sua invenção. “Experimentem carregar um garrafão de vinho tinto, de 5l, cheio, pelas ruas da cidade, às 6 da manhã, com uma bebedeira monumental”, dizia ele. A verdade é que o garrafão ajudou imenso a população de Portugal a chegar até à sua posição actual no mundo, e mesmo os copinhos de leite que bebem água usam o garrafão para transportar a sua bebida. É uma extraordinária maneira de transportar grandes quantidades de vinho de um lado para o outro e o mundo inteiro deve-lhe imenso.
O Conde teria uma morte trágica em 1815, resistindo ao controlo inglês sobre o país. Na noite de 2 de Julho, encontrou uma oficial do exército inglês nas ruas de Lisboa. Após uma bem humorada conversa, perguntou-lhe: “Não foi, hic, com a tua filha, hic, que eu dormi, hic, ontem à noite?” O Conde Branco e Tinto tornar-se-ia um símbolo da Revolução Liberal, graças a este evento, e sabe-se que a sua última frase era frequentemente usada para abrir as reuniões dos liberais, às três da manhã, numa caserna qualquer.
Como é mais que óbvio, a sua omissão nos grandes portugueses é altamente reprovável.

1 comentário:

Nizzy disse...

Sim, de facto como é que possível que pessoas como o tal... como é mesmo.. Hélio Pestana... tipo isso... andem para aí a tirar o merecido lugar do Conde nos Grandes Portugueses? Vá lá, podia não ser tão importante como, sei lá, um dos 10+, mas merecia o seu lugar e momento de glória e reconhecimento... =P